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Depois dos 500 anos, Porto Seguro parece ter colocado o turismo no modo “piloto automático”

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Por Sammy Chagas

Enquanto outros destinos se reinventaram, a terra do Descobrimento parece ter vivido da própria fama — e fama, como se sabe, não paga conta, não enche hotel e não garante turista de volta.

Porto Seguro carregava uma marca que qualquer cidade brasileira sonharia ter: foi aqui que a história do Brasil ganhou um dos seus capítulos mais simbólicos. Após os 500 anos, em 2000, o município tinha tudo para consolidar uma nova era no turismo: planejamento, investimentos, grandes atrativos, promoção nacional e internacional, calendário permanente de eventos e uma estrutura capaz de transformar visitantes em frequentadores fiéis.

Mas parece que, depois da festa dos 500 anos, alguém desligou a chave da visão de futuro.

A cidade continuou bonita, o mar continuou no mesmo lugar, a história continuou valiosa e o povo continuou acolhedor. O problema é que turismo não se sustenta apenas com praia, memória e fotografia na Passarela do Descobrimento. Enquanto outros destinos turísticos correram para inovar, criar experiências e conquistar novos públicos, Porto Seguro, em muitos momentos, parece ter ficado parado esperando o turista aparecer por obrigação.

E não adianta querer confundir infraestrutura urbana com infraestrutura turística. Uma rua pavimentada é importante. Iluminação pública é necessária. Saúde, educação, limpeza e serviços para a população são dever básico de qualquer gestor. Isso é cuidar da cidade e, principalmente, de quem vive nela. Mas infraestrutura turística é outra conversa: exige sinalização, acessibilidade, qualificação profissional, mobilidade, segurança voltada ao visitante, preservação histórica, novos roteiros, eventos, tecnologia, divulgação e produtos turísticos que façam o visitante querer permanecer mais dias — e voltar outras vezes.

Porto Seguro precisa entender que não basta varrer a calçada e esperar que o turismo resolva o resto. Destino turístico competitivo não vive de lembrança. Vive de estratégia.

A impressão é que muitos dos gestores que passaram pela cidade trataram Porto Seguro como se fosse apenas mais um município da Bahia. E Porto Seguro não é. Não pode ser. Trata-se de uma das maiores marcas turísticas do Brasil, com capacidade de movimentar emprego, renda, cultura e desenvolvimento em toda a Costa do Descobrimento. Administrar uma cidade com esse peso exige mais do que rotina administrativa; exige visão, coragem e capacidade de projetar o futuro.

É nesse ponto que o período de Ubaldino Júnior precisa entrar na discussão. Não para distribuir medalhas, mas porque basta fazer uma leitura do antes e do depois. Houve ali uma compreensão clara de que Porto Seguro precisava sair da acomodação e disputar espaço de verdade no cenário turístico. Na ânsia de investir, acelerar e transformar, enfrentou limites legais e administrativos — porque, na máquina pública, muitas vezes, o que a população considera urgente esbarra em burocracias que ninguém consegue explicar, mas que sempre aparecem na hora de travar.

Enquanto isso, Porto Seguro foi perdendo terreno. Outras cidades cresceram, diversificaram seus atrativos, profissionalizaram sua promoção e compreenderam que turismo é uma indústria: precisa de investimento, planejamento e inovação. Não se governa um destino internacional com a mentalidade de quem está apenas administrando bairro, praça e meio-fio.

Cuidar do povo é prioridade absoluta. Mas cuidar do povo também é gerar emprego, fortalecer o comércio, ampliar oportunidades e fazer a economia girar. E turismo forte faz exatamente isso. Porto Seguro tem tudo para voltar a ser protagonista, mas precisa parar de viver do brilho dos 500 anos e começar a construir os próximos 50.

Porque história sem visão de futuro vira apenas lembrança.